Publicado por: celiovalle | janeiro 6, 2010

A descoberta, descrição e denominação de uma espécie nova

O nome dos zoólogos (neste caso Shaw e Nodder ) que primeiro descreveram a espécie Ornithorhincus anatinus e a data de publicação de seu trabalho (1799) são mantidos e colocados entre parênteses para lembrar que apesar da espécie ter sido descrita e denominada por Shaw e Nodder o nome do gênero (Ornithorhincus) foi cunhado e proposto validamente por outro autor que neste caso foi Blumembah. Trata-se de uma notação histórica que lembra e homenageia o autor da espécie apesar desta ter sido mudada de gênero. A descoberta, descrição e denominação de uma espécie nova continua a ser para os zoólogos taxonomistas um fato muito importante. O registro e a identificação clara e precisa de cada espécies é o primeiro passo para o conhecimento da biodiversidade do nosso planeta e assim se poder ter uma visão global do mundo biológico. Quando se inicia o estudo de uma determinada espécie que parece ser nova para a ciência, a primeira coisa que o taxonomista deverá fazer é uma revisão bibliográfica completa pelo menos até à 10ª Edição do Systema Naturae de Linnaeus (1758) para saber se neste período a espécie em questão já foi descrita e denominada corretamente. Os nomes propostos antes desta Edição não são em geral considerados taxonómicamente como válidos mesmo que estejam grafados em nomenclatura latina binomial. Ao se descrever uma nova espécie deve-se consultar não só a literatura mas também o material depositado nas coleções de referência dos diversos Museus para se evitar a criação de sinônimos inúteis. O Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (1985) estabelece normas claras para tais decisões. Em caso de dúvida há um tribunal internacional de recursos (International Commission on Zoological Nomenclature: ICZN) cujas decisões ou pareceres técnicos (Opinion) são aceitos em geral por todos os sistematas profissionais muitas vezes depois de longas discussões. Deste modo tenta-se colocar fim em discussões que seriam intermináveis. Há uma publicação denomina-da……. que periodicamente publica as conclusões desta Comissão. Este procedimento crítico à primeira vista parece complicado, antidemocrático e inútil mas seria impossível a comunicação entre os pesquisadores se cada um pudesse usar qualquer nome e em qualquer língua como o faz a cultura popular zoológica. É necessário que se use para cada espécie claramente descrita apenas um único nome científico, em latim e aceito por todos. A ciência só progredirá à medida que for socializada e internacionalizada. É no entanto importante se conhecer a sinonimia, pois facilitará a obtenção de muitas informações sobre a espécie na literatura e nos bancos de dados. O uso de nomes populares é livre e os zoólogos profissionais não devem deixar de se interessar por eles, pois são testemunhos do conhecimento tradicional, da imaginação, da criatividade e cultura dos diversos grupos humanos. Nem todas as espécies conhecidas pelos taxonomistas tem nomes populares o que levou alguns zoólogos a proporem nomes populares. Para o taxonomista esta revisão histórica é muito interessante e instrutiva e faz justiça ao trabalho dos povos e zoólogos que nos antecederam e assim são resgatadas muitas informações interessantes. O nome latino científico de uma determinada espécie corretamente descrita e denominada não pode ser trocado pela simples vontade de um pesquisador. É como se fosse uma propriedade do autor da espécie. É uma forma de direito autoral. Se por outro lado, for proposto um nome para uma nova espécie sem ser acompanhado de uma descrição definida e clara a denominação proposta não será válida. A este nome chama-se de “nomen nudum” e não deverá ser usado. Nunca se deve citar ou propor um nome para uma espécie nova sem ser acompanhado pela primeira vez de uma clara e técnica descrição da mesma. Caso o zoólogo tenha que registrar a existência de uma nova espécie antes de ter editado a sua descrição e denominação, deverá simplesmente escrever depois do nome do gênero a seguinte anotação Sp.Nov. (Espécie nova). Caso se trate de um gênero novo deverá escrever apenas Gen nov. O material que serviu de base para a descrição de uma nova espécie deverá ser guardado com cuidado e separadamente em algum Museu ou coleção de acesso público sob a forma de tipos, paratipos, etc (Papavero, 1994). A descrição de uma espécie nova deverá ser feitas em língua e publicação o mais universal possível. Hoje a descrição não precisa ser feita em latim como se fazia antigamente. A escolha do nome da nova espécie ou gênero depende exclusivamente do autor. A única exigência é de que o termo proposto deverá ser latinizado e declinado corretamente.

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